27/10/09

dos amores impossíveis - VII

- Nunca mais repita isso!
- Não disse nada...
- Pois então, nunca mais repita esse silêncio!
- Barriga da perna tem cólica? Tem estrelas no céu da boca? Quem anda muito na linha o trem pega?
- Que isso?
- Minha tentativa de não repetir aquilo.
- Aquilo o quê?
- O silêncio. O silêncio que grita meu prazer em ficar olhando o seu perfil de estátua grega, vendo o ballet dos seus dedos batendo a cinza no cinzeiro, seu dedão do pé esquerdo coçando o tornozelo direito, sabendo que é a sua nuca a primeira paisagem das minhas manhães, eu...
- Ta começando a novela. Silêncio!

20/10/09

dos amores impossíveis - VI

...que foram os olhos dela que o puseram em reverência , genuflexo e contrito. Ajoelhou-se e segurou-lhe os tornozelos. O olhar mergulhou em suas vísceras. Ela, de pernas abertas e ele posto diante do altar. Sua língua, no sexo dela, desenhava todos os milagres. E ela repartia-se em pão. Multiplicava os peixes. Transformava água em vinho. Ressuscitava Lázaros que dançavam pela sala recompondo a carne. Arrancou a calça e sabia que aqueles pelos negros eram coroa de espinhos. E gritou, negou três vezes antes que o galo cantasse pois ali, naquele Gólgota, ficaria para sempre crucificado, sem direito a terceiro dia.

14/10/09

dos amores impossíveis - V

Esperança, que de verde não tinha nada além do fato de nunca ficar madura o que a transformaria em Certeza.Todas as marcas que a vida fizera em seu olhar. Todas as covas que as lágrimas deixaram em seu sorriso. Mãos não mais capazes de gestos e os fizera quando ainda acreditava que os hovesse que valessem a dor de ser. Esquecida dos passos de todas as valsas, disse sim. E, dançaram. E dançaram pelas estrelas da via-láctea, pelos anéis de Saturno, por desconhecidas galáxias. E dançaram até à luz. Ele, resplandeceu. Esperança, uma sombra, escorregou no arco-íris, pra muito além do fim do mundo.

11/10/09

dos amores impossíveis - IV

Como o sono dos navegantes, em mar de calmaria. Como a paz dos caminhantes, na volta da romaria. Maria. Todo o tudo que restava do quase nada que fora, desde o sempre. Como antigo monumento, escavado , escalavrado. Como antiga ruína, explorada, espoliada. Maria. Mesmo assim; na imobilidade do nunca, na impossibilidade do sempre. Maria.

02/10/09

dos amores impossíveis - III

Fome, sede, sei lá, e deveria saber? Foi coisa de cigarro mentolado, coca zero, sandália havaiana. Faca em ponta de murro. Muro de arrimo. Arrumação de gaveta. Graveto pra lareira. Lar, sem eira nem beira. Beija flor. Floradas na serra. Cera de abelha. Velha foto. Fomos. Fundo. Fátuo. Fato. Feliz. Fodeu.
É. Eu sei.
É coisa de cubanos, cognac, scarpin. Espada de samurai. Muralha da china. Chinelo de pelica. Pelicano e albatroz. Atrás da lua. Luminescência. Numismática. Estática. Tática. Tive, perdi. Fodeu.
E, deveria saber?